21 maio 2008
Biografia dum Criôl - CARTAZ OFICIAL
ESTREIA À VISTA
A SARRON.COM é uma companhia que sempre primou pela salvaguarda dos valores culturais cabo-verdianos. Assim, até hoje apresentou peças de autores cabo-verdianos, neste caso, escritos pelos próprios elementos. Mas vêm aí adaptações e peças de dramaturgos nacionais. Queríamos apresentar mais uma peça dentro desse quadro para o Março, Mês do Teatro 2008. Neu Lopes discutia com o primo Júlio Fortes sobre uma possível peça a apresentar pela companhia. Júlio, então, avançou a ideia de apresentar uma peça baseada em músicas de Manuel d’Novas. É claro que a ideia era boa. Ainda por cima ficaria em família, uma vez que Neu é filho do compositor e Júlio sobrinho. Mas Júlio não contava com a ideia de Neu a transformar num musical. Assim, postas mão à obra, Neu começou a escrever o texto, tendo como base cerca de setenta composições de Manuel d’Novas. E nasceu assim “Biografia dum Criôl”, baseada sobretudo na morna de mesmo nome, mas contada e cantada através da longa carreira musical daquele que é o maior compositor cabo-verdiano de sempre.

Biografia dum Criôl é uma revista que retrata a vivência do crioulo de Mindelo, suas raízes, suas venturas e desventuras, conquistas e derrotas, sua vontade de emigrar e descobrir novas terras, a saudade, as frustrações e decepções, as partidas(1), bem como o que mais nos faz viver – a nossa paródia. Enfim, a nossa cabo-verdianidade.
Djón, Naiss, Frank e Djindja são quatro amigos inseparáveis. Conhecem-se durante sua infância/juventude e, juntos, vivem muitas aventuras, fazem peripécias, conquistam raparigas, apaixonam-se. Mas a vivência não se restringe às paródias e à vida boémia. Com o tempo a idade aperta e o dinheiro faz falta, pelo que tentam procurar emprego para melhorar de vida. Não vendo uma solução para suas vidas, Djón viaja para o estrangeiro e vai trabalhar num vapor grego. Naiss dá pinote num vapor atracado no porto e mais tarde fica-se a saber que teria desembarcado em Dacar , passando por Paris, Rotterdam e por aí além, enquanto que Frank e Djindja continuam sua vida no Mindelo. A experiência de Djón não é agradável e as saudades da terra e de sua “cretchêu”, Nhú são muitas. Naiss teve mais sorte, mas é um “gargantude” e “basôfe”. Com sentido oportunista deixa a namorada e envolve-se com uma professora, mas essa trai-o com um holandês e Naiss acaba aceitando um filho louro de olhos azuis.
São essas e outras as aventuras vividas por esses quatro homens/rapazes e todos os que o envolvem, numa cidade do Mindelo entre finais dos anos sessenta e os anos noventa.
(1) Peripécias
O Texto
Imaginem as mornas e coladeiras de Manuel d’Novas. Engraçadas, não é? Tentem metêlas todas juntas num liquidificador e juntem um pouco mais de tempero. Pois é mais ou menos isso o resultado do texto de Neu Lopes. O texto em “Biografia dum Criôl” é uma salada de textos e sua musicalidade com uma sequência lógica. Aliás, foram as músicas de Manuel d’Novas as únicas culpadas pelo surgimento dos personagens e situações que formam os três quadros desta peça.
No primeiro quadro a vivência e a amizade dos inseparáveis amigos introduzem o espectador à história de suas vidas. Desenvolvimentos importantes acontecem até o dia em que resolvem se separar e ir à procura de seus sonhos e de uma vida melhor.
O segundo quadro fala da emigração e do amadurecimento. A separação dos amigos é inevitável. A emigração bateu à porta, há dificuldades que surgem e a saudade aperta. Mas a vivência dos mindelenses continua a mesma.
O terceiro e último quadro traz a reunião dos inseparáveis amigos. Novas aventuras surgem mas a família, o valor á terra e à cultura se impõem, obrigando a todos a mudarem de atitude, contudo preservando seus valores.
O texto em “Biografia dum Criôl” é rico em palavras e expressões próprias e épicas de São Vicente. É claro que, para os mais jovens, surgirão palavras estranhas ou simplesmente engraçadas durante toda a peça. Assim, decidimos fazer uma recolha de algumas dessas palavras, dignas de serem relembradas e exploradas, principalmente pelo seu valor social e histórico.
O Cenário
O cenário é um trabalho conjunto, baseado no ambiente mindelense e num ambiente estrangeiro, em que os emigrandes fazem sua aparição, quer seja no trabalho, quer seja num momento de descontração.
Assim, foi criado um cenário móvel que acompanha as várias cenas, mudanças e complexidade de acção. A mudança cénica e iluminação acompanha sempreo ritmo da música e da própria peça, num ambiente de muita cor.
A coreografia
A coreografia também é um trabalho colectivo nascido nos ensaios. Porém, na música “Crioula” a troupe contou com o trabalho do Professor Alfredo, especialista em coreografia e danças de salão. Isso porque, em determinadas cenas há uma grande necessidade de cenas mais forjadas e com ritmo, para dar côr a qualquer musical ou revista.
O Guarda-roupa
Mais uma vez, Neu Lopes apresenta todo o desenho do figurino à companhia. Em “Biografia dum Criôl”, esse figurino foi baseado em modelos dos anos 60 a 90, incluindo roupas infantis. A equipa liderada por Manú Lopes, que também se ocupa dos adereços e da caracterização, é responsável por concratezar esse projecto que surgiu no seio da própria companhia.
A música
The last but not the least!
A música é soberana na peça. Há momentos com ambientes musicais retirados de registos de intérpretes já nossos conhecidos. Porém a música que se canta na peça teria que ser feita à altura dos seus intérpretes, pelo que teriam que ser gravadas para o efeito. Foi assim que surgiu um leque de bons músicos para dignificarem esse maravilhoso mundo Noviano.
Para começar, o pianista – Fernando Andrade. Ele é pianista e chefe de orquestra de Cesária Évora. Sobrinho do compositor, conhece sobejamente suas músicas desde criança, pelo que se sentiu completamente à vontade para estar à frente da interpretação e arranjo de boa parte das mornas e coladeiras. Para complementar entrou um leque de jovens músicos, na maioria filhos de músicos e intérpretes do Mindelo - Rossini Santos, Edson Lopes, Ivan Medina, Ivan Gomes, Cipi, Gibê, Jean Gomes e o próprio Neu Lopes que assinou também alguns arranjos, programação de sintetizadores, percussão e bateria e criação de ambientes sonoros.

História Teatral
UPGRADE (BÔ) DEMOCRACIA (de Alexandre Fonseca Soares) – 2006
UM VEZ SONCENTE ERA SÁBE (de Neu Lopes) – 2007
UM CINQUINTINHA? (de Neu Lopes) – 2007
Próximas Estreias
NHA ROSA DE MONTE VERDE (adaptação do conto tradicional) – Mindelact 2008
BLIMUNDO (adaptação do conto tradicional) – 2008
O FEITICEIRO DE SANTO ANTÃO (adaptação do conto tradicional) – 2009
Sobre Teatro de Revista
Em Cabo Verde
Mesmo sem muita experiência teatral e sem qualquer formação de base, fez-se teatro de revista com qualidade no Éden-Park. Nomes como Mário Matos e Manuel Neves (Sr. Néna) deram vida a esse género das artes cénicas, fazendo um importante uso do humor crioulo e criticando o regime político e sócio-cultural da época. Não era aquele teatro exuberante como o português e o brasileiro, mas era muito criativo e de qualidade inquestionável, aproveitando a criatividade dos artistas para a música, figurinos, cenografia, dramaturgia, etc.
A revista e o musical deixaram de ser géneros aproveitados em Cabo Verde durante muitos anos até em 2006, ano que a Sarron.com – Companhia de Teatro apresentou a peça “Um Vez Soncente Era Sábe”, com músicas originais, coreografia e muito humor, num São Vicente dos tempos áureos do Porto Grande.
A Equipa
Aguinaldo Monteiro
Edilson Fortes
Djay fortes
Manú Lopes
Nadira Delgado
Neu Lopes
Osvaldo “Shaka” Santos
Patrícia Alfama
Karina Lizardo (Actriz Convidada)
Mariza Santos (Actriz Convidada)
Micau Zacarias (Actor Convidado)
Romilda Silva (Actriz Convidada)
As Crianças
Katy Rodrigues
Kleudir Lima
Mireille Delgado
Wesley Lopes
William Patrick
Dramaturgia e Encenação
Neu Lopes a partir de uma ideia original de Júlio Fortes
Direcção de Cena
Ivany
Direcção Musical
Neu Lopes
Músicos
Fernando Andrade – Piano e Arranjos
Rossini Santos – Percussão
Ivan Medina – Guitarras
Cipi – Cavaquinho
Gibê – Cavaquinho
Edson Lopes – Baixo
Ivan Gomes – Guitarras
Jean Gomes (John de TVEC) – Harmónica
Neu Lopes – Programação, Recoreco e Arranjos
Coros
Margarida Brito e Neu Lopes
Coreografia
Colectivo
Sonoplastia
Neu Lopes
Operação de Som e Controle de Microfones FM
David Medina e Fonseca Soares
Figurinos
Neu Lopes e Manú Lopes
Concepção de Figurinos
Boutique Soraya
Caracterização
Manú Lopes
Cenografia
Neu Lopes, Fernando Morais e Micau Zacarias
Carpintaria
Micau Zacarias
Desenho de Luz
Anselmo Fortes
Operação de Luz
Faísca Luminotecnia
Promoção e Marketing
neulopes – Design & Projectos, Lda.
SÓDESENH
Costa & Costa
Produção
SARRON.COM – Companhia de Teatro
Direitos Reservados
Espectáculo:
Emanuel Lopes (Neu Lopes)
Músicas:
Manuel de Jesus Lopes (Manuel d’Novas)
SACEM
SPA – Sociedade Portuguesa de Autores
África Nostra
GLOSSÁRIO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES
Buldónhe – pessoa habilidosa; aquele que é capaz de fazer quase tudo com alguma facilidade
Bambude – carregado
Merguióde bóca na vidre – a embebedar-se
Direta – paródia; festa sem parar
Merme – triste; vazio; sem nenhuma novidade
Nem chapa nem pau – nem vapor em metal nem barco de madeira
Sarandá – dá um saranda; dar uma volta; passear
Mordê – morder; beber (bebidas alcoólicas)
Fnhanga – pequeno baile (geralmente em lugar fechado, casa ou clube)
Rambóia – grande baile; baile popular com muitas pessoas
Pickupada (picapada) – (do inglês pickup) baile cuja fonte musical é um gira-discos
Inrrocá – surpreender alguém (normalmente uma pessoa corre atrás de alguém e outra fica à espera para apanhá-la)
Burbitche – barbiche
Séma – espécie de aguardente de péssima qualidade
Falcão – marca de cigarro sem filtro
Ingli espirte – simular; enganar
Ingli – beber (bebidas alcoólicas)
Tracolá – misturar
Desasná – acordar; desinibir-se
Matim – grogue (aguardente) com mote (ervas)
Tchusside – atrevido
Ca ta mjá na nhame – não é para brincadeiras
Saltá pidrinha de janela c’chapêu na mon – levar uma grande repreensão; ser castigado
Carapau de corrida – metido; atrevido
Boi de bóca de lume – figura popular para simbolizar o medo e o terror (tal como catchorróna ou canilinha)
Ta morrê pêxe – que está em voga, na moda
Fazê tchintchin – espécie de passo de dança; fazer modinha
Nutridinha – muito bonita; atraente; sensual
Trublá – desorientar-se
Ca ta pa sementêra – que não fica para sempre
Brajêr – falso amigo; que cria confusão
Tchoquêra – de tchoco (que cheira mal); mau comportamento; comportamento dissimulado
Esgonsadinha – desajeitada
Nhô Gene – referente a Eugénio Tavares
Dá pinôt – fugir
Firmám’ – afirmar-me; aceitar-me
Desmantchá n’ága de tchuque – zangar-se; desfazer uma amizade
Escrapatchóde – bem evidente; bem explicado; destacado de modo a não suscitar dúvidas
Esprajóde/Esprajá – relaxar; descontrair; divertir
Bolice – confusão
Tchufti – acontecer; preocupar
Metido num sóque de sampê – estar dentro de um saco com centopeias; estar metido num grande sarilho
Ricurse – recursos
Psu nhô n'denga – estar em sarilhos
Trucide – algo difícil de resolver
Bife de caneca – lanche leve, geralmente com pão e chá
Batchi pancada – bater; agredir
Liment’ de lagume – alimentos à base de legumes e hortícolas
Pills – marca de cerveja
C’rósca montóde – em situação difícil de resolver
Lifting – resto de cigarro (geralmente quase a atingir o filtro)
Escomandóde – fora de comando; sem regras
Zigzagueante – em zigzague; sem rumo
Scandinávia – conhecido restaurante de outrora no Mindelo
Pimm’s – antiga discoteca mindelense
Xê-nu – sobejamente conhecido bar mindelense
Badjôdje – namorado
Caí na lume – ser enganado e ficar em situação conflituosa
Carrim sport – carro desportivo
Jogue de póca – poker
Quem bá na praia t’otchá um tartaruga – expressão utilizada para um acontecimento raro
Culmiss – preocupação; dificuldade
Buteada – raparigas (geralmente bonitas, atraentes e disponíveis)
Bizniss – do inglês business; negócio
Plia – cisco
Plia mau – aquele que não é bem vindo
Castanhata – espécie de peixe
Gantchinha – menina de vida; espécie de prostituta não declarada
Retrancadim – justa; apertada
Ranjá namores – iniciar namoro
Póss Bióne – espécie de ave de rapina que era predominate em Cabo Verde, hoje quase em extinção
Mandá pa stótcha – mandar embora; ignorar; livrar-se de
Cossá ôsse – partir para a briga; agredir
Conê – diminutivo de conecimente (conhecimento)
Sucdi – sacudir; livrar-se de
Bazunzód – fora de si
Cusinha de manha – amor; querido(a)
Trôte – estrangeiro; terras estrangeiras
Rabolice – confusão; movimento
Marozinha – exibicionista
Cantiga de rótcha já ca é de morada – cantiga do campo já não é como cantiga da cidade; o mundo mudou
Casinha branca – cemitério
Folha de trabói – mentira; gabar
Bzuk – inocente
Providença – previdência; expediente
Linga pintada – linguaruda
Cutchi – bater; agredir
Bitche rum – coisa ruim; fantasma
Oitenta melodoioso – olhar guloso
Ó que musquinha mjá – quando tudo piorar; tomar um rumo incontornável; sair do controlo
Sentá mon – bater; agredir
Tchuquinha – forma carinhosa de dizer querida
Trançá – misturar
Paiófe – do inglês pay off; dispensar/abandonar o companheiro
Cascá na tribunal – chamar à justiça; denunciar
Tchpá dêde – chupar o dedo; ficar abandonado
Goitá – observar; espiar; ficar de olho
Ptá na praça – denunciar
Segunde grau – antiga 4ª Classe
Burnide – espalhado
Gatchóde – escondido
Tabanka – povoação indígena da Guiné-Bissau (neste caso toda a povoação ocupada)
Tchoradinha – choradinha; referente ao choro do violão
Fanuquinha – forma carinhosa de dizer querida
Manhentésa – gula; inveja
Trutchi – apertar; maltratar
Djô cabá c’fume – antiga figura mindelense; indivíduo forte e arruaceiro
Fanóca – o mesmo que fanuquinha
Vassalamente – folia
Cama pintóde de frêsque – cama pintada de fresco; cama que não é usada pelo dono durante muito tempo
07 maio 2008
Alguns dos Músicos de "Biografia dum Criôl"
Uma visita especial
Ivany, Shaka, MicauZacarias, Dí Fortes
Karina Lizardo, Paty Alfama, Nadira Delgado, Luciano Lopes, Neu Lopes
Mariza Santos, Gui Monteiro, Djay Fortes, Manú Lopes
Nancy Vieira leva "Lus" cabo-verdiana a Leiria

Nancy Vieira apresenta esta quarta-feira, 07, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, na zona centro de Portugal, o seu terceiro álbum "Lus".
"Lus" marca uma aposta no cruzamento das sonoridades cabo-verdianas, como a morna, a coladeira, o funaná e o batuque, com sons de outras paragens, nomeadamente do Brasil (samba e bossa nova, já adoptados como géneros musicais em Cabo Verde) e da América Latina - Peru (landón) e Cuba (danzón e son).
Trata-se, enfim, de um encontro entre "as raízes cabo-verdianas e uma universalidade musical", como a própria Nancy Vieira referiu, numa entrevista a «A Semana», há alguns meses atrás. ~
Sendo um disco com uma sonoridade totalmente acústica, o novo álbum de Nancy Vieira realça não só a sua inegável qualidade vocal, como também a qualidade musical do reportório seleccionado. Os arranjos, na sua maioria do também produtor musical Jorge Cervantes, tendem para uma assumida simplicidade.
Mayra Andrade arrebata mais um prémio, agora em Cuba

Cubadisco costuma premiar grandes produções musicais relevantes e de honra, e é o mais importante prémio da Cuban Music Record Industry. Este ano o galardão é dedicado a África e à sua diáspora, e o tema é Música & Poesia.
Também foram agraciados o brasileiro Chico Buarque, o grupo espanhol Ojos de Brujo e a colecção Grabaciones Inéditas del Teatro de la Zarzuela.
A intérprete cabo-verdiana vai participar na cerimónia oficial, durante a XII Feira Internacional Cubadisco- que acontece de 17 a 25 de Maio na capital cubana, Havana- para receber o prémio.
Disco de Ouro em Portugal, Prémio BBC Rádio 3, um dos Melhores de 2007 pelo diário britânico The Observer e prémio das Críticas de Discos Alemães são outras conquistas de Mayra Andrade com Navega, um dos mais premiados da história da música cabo-verdiana.
Mayra já programou o seu próximo álbum para o final deste ano. Portanto, 2009 promete mais um CD de Mayra.
Colectânea de poesia “Na Liberdade” lançada na Praia

O volume reúne poetas de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor-leste, no qual assume particular relevo a participação de 11 poetas cabo-verdianos.
Por ocasião do trigésimo aniversário do 25 de Abril de 1974, a editora Garça tomou a iniciativa de convidar três poetas para coordenarem a elaboração de uma colectânea-antologia que plasmasse em poesia o que foi a reconquista da Liberdade, com o derrube do regime ditatorial, em Portugal, e todo o desencadear de acontecimentos surgidos com a democracia, nomeadamente, o fim das guerras coloniais e o reconhecimento do direito à independência dos povos até então dominados pelo colonialismo português.
Durante um ano, Jorge Velhote, Nicolau Saião e Nuno Rebocho contactaram poetas da CPLP e prepararam “Na Liberdade”. De acordo com uma nota de Centro Cultural Português, mais de uma centena de poetas (alguns, entretanto, já falecidos) responderam ao convite e os seus poemas encontram-se reunidos neste livro que se apresenta agora em Cabo Verde.
Corsino Fortes, Jorge Carlos Fonseca, José Luís Hopffer Almada, José Luís Tavares, Mário Fonseca, Onésimo Silveira, Oswaldo Osório, Tchalé Figueira, Vasco Martins, Vera Duarte e Arménio Vieira constituem a participação de Cabo Verde na antologia, a par de poetas como Mário Césariny, Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre, Nuno Júdice, Vasco Graça Moura, Alda Espírito Santo e Luís Carlos Patraquim.
A apresentação da obra esteve a cargo do jornalista e professor Daniel Medina e serão ditos poemas por José Braga-Amaral (poeta e editor), Nuno Rebocho (coordenador) e pelos poetas participantes na colectânea que estiverem presentes.
Amanhã, 8 de Maio, pelas 18:45h, o jornalista, escritor, poeta e actor português José Braga-Amaral, da “Confraria da Palavra Dita” do Douro português, apresentará, no Auditório do IC-CCP Praia, o espectáculo "Entre o rio e o mar – Miguel Torga no arquipélago da poesia".
Em torno da poesia de Miguel Torga (do qual se celebrou em 2007 o centenário do nascimento e ocasião para a qual foi concebida esta homenagem), articulada com a contemporânea poesia cabo-verdiana, o poeta José Braga-Amaral concebeu um espectáculo multidisciplinar, conjugando a palavra, a imagem e a música, que agora se apresenta ao público da cidade da Praia.
Praia acolhe trupe de acrobatas e dançarinos da China

Uma arte milenar, acompanhada de ritmos apurados e performances requintadas. Essas são algumas características da cultura chinesa que os praienses têm oportunidade de conferir de perto esta semana. O Shenzhen Arts Troupe, grupo de dançarinos e acrobatas chineses, apresenta-se nesta quarta e quinta-feira, 7 e 8 de Maio, no auditório da Assembleia Nacional, às 20h. São os acrobatas chineses a abrilhantar a celebração dos 150 anos da Praia.
O espectáculo promete uma pequena mostra da tradicional e moderna magia do país. O Shenzhen Arts Troupe é composto por 22 jovens talentos, com reconhecimento nacional e internacional em competições de dança e música. O grupo, que já passou por três continentes, Europa, Ásia e América, tem em Cabo Verde a sua primeira actuação em África. A trupe já foi condecorada com o “Lotus Award”, prémio máximo para performances na China. Shenzhen é uma cidade de progresso, no sul da China, permeada por uma vasta vida cultural e alimentada economicamente por pesquisas de desenvolvimento e tecnologia.
A arte chinesa remonta a tempos milenares. A música, por exemplo, surgiu no país há cerca de 3000 anos, quando a Europa ainda experimentava seus primeiros acordes. A variação de ritmos e a qualidade do som conferem à música chinesa uma marca distintiva perante as suas contrapartes ocidentais. A acrobacia, por sua vez, tem uma forte conotação nacional, com estilo próprio, acompanhada de trajes teatrais e acessórios cénicos. O Shenzhen Arts Troupe surpreende ao integrar, num único espectáculo, a dança e a música com golpes de Kung Fu - arte marcial cuja origem está repleta de lendas.
Cláudia Correia, assessora da Câmara Municipal, explica que o convite ao grupo de acrobatas chineses surgiu quando uma comitiva do governo visitou a região. Após a ideia, a embaixada da China ajudou no desejo de trazê-los à cidade da Praia. A assessora adianta ainda que Shenzhen irá promover uma geminação com Mindelo, que receberá uma comitiva da cidade chinesa no mês de Maio.
Rafael Barbosa
29 abril 2008
Público brasileiro pede três bis a Cesária Évora

A cantora actuou no palco São João, o maior de todos. Segundo informações dos jornais, logo cedo já era possível observar um aglomerado de pessoas a gritar pelo nome de “Cesária”. A cantora entrou no palco em completo silêncio, a prestar atenção nos fãs, e apontou o dedo chamando atenção para uma bandeira de Cabo Verde estendida entre a multidão.
O jornal Estado de São Paulo destaca a história de Wellington Barbosa, 56 anos, que chegou cedo para conseguir um espaço na primeira fila, de frente ao palco. Wellington diz que colecciona todos os CDs da musa, mas que esta foi a primeira vez que a ouviu cantar ao vivo. “A virada é muito legal, mas Cesária é especial", confessou.
O jornal Folha de São Paulo destaca a presença do secretário municipal de cultura, Carlos Augusto Calil, no show de Cesária. O jornal também ressalta a história do casal Maria Inês Fiaschi, 63, e Luciano Fiaschi, 62, que moram em Perdizes, interior do estado, e viajaram até a capital só para assistir ao show. Cesária encerrou sua apresentação, por volta das 19h35, com o ritmo da música “Carnaval”. Na sequência a cantora passou o comando do palco aos artistas nacionais Gal Costa, Zé Ramalho e Os Mutantes.
A “Virada Cultural” é um evento gratuito que acontece anualmente pelas ruas de São Paulo, maior cidade brasileira. Para a maratona de 24 horas de show foram montados 26 palcos no centro da cidade, com cerca de 800 diferentes actividades a acontecer num único fim de semana. A edição deste ano bateu recorde de público, com a presença de mais de 4 milhões de pessoas.
28 abril 2008
A música de Manuel d'Novas (10)
(Morna - 1980)

Bem conchê
Êss Mindelo piquinino
Bem conchê
Sabura di nôs terra
Bem conchê
Êss paraíso di cretchêu
Qui nôs poeta cantá co amor
Na sês verso imortal, criôl
Quem ca conchê Mindelo
Ca conchê Cabo Verde
Bem disfrutá morabeza
Dêss povo franco sem igual
Li nô ca tem riqueza
Nô ca tem ôr
Nô ca tem diamante
Ma nô tem êss paz di Deus
Qui na mundo ca tem
E êss clima sábe qui Deus dόne
Bem conchê êss país
Direitos Reservados
(Editing/Publishing)
Manuel de Jesus Lopes (Manuel d'Novas)
SPA
SACEM
Africa Nostra
Harmonia
A Música de Manuel d'Novas (9)
(Coladeira - 1978)

Papai bem dzêm qui raça qui nôs ê ό pai
Nôs raça ê preto má brónque burnid na vent
Burnid num temporal di escravatura ó fidjo
Um geraçôn di tuga co africano
Ês bem d’Europa farejá riqueza
Ês vendê fidjo di Africa na escravatura
Carregód na fund de porão di sês galera
Dibáxo de chicote ma jugo colonial
Alguns qui fcá pra lí gatchód na rótcha ó fidjo
Trançá má Tuga ês criá êss povo caboverdiano
Êss povo qui sofrê quinhentos óne di tortura, oioi
Êss povo qui revoltiá tabanka inter
Pa tmá sês liberdade q’ta competês na mund
Pa cabá co exploraçon duns gente racista e mau
Quê pás tomá sês terra quê pás governá
Pa criá progresso dêss povo Africano
Agora já sês reinado tchigá na fim nha fidjo
Nôs África inter ta fcá livre de sês maldade
Pa mostrá mundo inter sês dignidade di povo
Co sês direito humano universal
Pa nô bem participá na construção di um mundo
Um mundo novo di paz pa tud gente vivê
História qui já passá nô pôl num cónt à parte
Nô trá vingança e ódio di nôs coraçon
Direitos Reservados
(Editing/Publishing)
Manuel de Jesus Lopes (Manuel d'Novas)
SPA
SACEM
Africa Nostra
Harmonia
“A Ilha dos Escravos” estreia na Praia
O filme dirigido pelo português Francisco Manso foi inspirado na obra “O escravo”, escrito por José Evaristo Almeida em 1856. A trama situa-se no século XIX durante uma revolta de miguelistas exilados no arquipélago e envolve os desenlaces de amor do escravo João por sua patroa, filha de um fazendeiro da ilha de Santiago.
O orçamento total da obra custou aproximadamente dois milhões de euros, com participação dos actores nacionais Luís Évora e Josina Fortes, além de artistas brasileiros e portugueses como Vanessa Giácomo, Zezé Motta, Milton Gonçalves, Diogo Infante, Vítor Norte, José Eduardo, entre outros. “Para mim, o filme foi uma aventura muito interessante. Foi uma aprendizagem muito profícua e sinto muito orgulho de ter participado num trabalho com elenco de grandes actores”, diz Luís Évora no site oficial do filme.
Francisco Manso é autor de “O testamento do Sr. Nepumoceno” (1997), do documentário “Clandestinos” (2000) e das obras ainda inéditas “O último condenado à morte” e “Assalto a Santa Maria”. A exibição de “A ilha dos escravos” é uma parceria do CMP e do CCP-IC. A entrada é gratuita.
25 abril 2008
Titina Rodrigues apresenta novo álbum no I Festival Lisboa Porto de Abrigo
Titina, “uma das vozes emblemáticas” de Cabo Verde, apresenta dia 21 de Maio o seu mais recente álbum, “Cruel Destino”, ainda não editado em Portugal.
“Este Festival acolhe músicas que, tal como o Fado, são representativas de locais, regiões ou até ideologias, e que se ligam ao conceito de músicas do mundo”, disse Helder Moutinho, um dos organizadores do Festival.
“Por outro lado – acrescentou – enfatizamos o conceito de novidade com os artistas a apresentarem os seus mais recentes trabalhos, em alguns casos em estreia absoluta como acontece com Raquel Tavares e Titina”.
Inforpress/Lusa
23 abril 2008
Preparação de "Biografia dum Criôl" em imagens
O Pianista Fernando Andrade também assina o arranjo de vários trechos
Karina Lizardo e Dí Fortes - o par romântico
Atrás - Djay Fortes e Gui Monteiro
À frente - Maísa (já fora do projecto), e Dí Fortes
BIOGRAFIA DUM CRIÔL a nu
Biografia dum Criôl é uma revista que retrata a vivência do crioulo de Mindelo, suas raízes, suas venturas e desventuras, conquistas e derrotas, sua vontade de emigrar e descobrir novas terras, a saudade, as frustrações e decepções, as partidas (entende-se peripécias), bem como o que mais nos faz viver – a nossa paródia. Enfim, a nossa cabo-verdianidade.
Dí Fortes (Djón), Djay Fortes (Naiss), Gui Monteiro (Frank), Karina Lizardo (Nhú), Manú Lopes (Zinha/Mãe de Djón), Mariza Santos (Tanha), Micau Zacarias (Djósa), Nadira Delgado (Nanda), Neu Lopes (Narrador/Nhô Grigôr), Osvaldo “Shaka” Santos (Djindja), Patrícia Alfama (Rosi), Romilda Silva (Xénxa/Professora Neusa)
As crianças:
Katy Conceição (Nhú/Filha de Nhú), Kleudir Lima (Naiss/Filho de Djindja), Mireille Delgado (Rosi/Filha de Nanda), Wesley Lopes (Djón/Djony), William Patrick (Djón)
Dramaturgia
Neu Lopes
baseada numa ideia original de Júlio Fortes
Encenação, recolha e Direcção musical
Arranjo de vozes
Margarida Martins e Neu Lopes
Cenografia
Colectivo
Figurinos
Neu Lopes e Manú Lopes
Concepção de figurinos
Boutique Soraia
Caracterização
Manú Lopes
Sonoplastia
Neu Lopes
Desenho de Luz
Anselmo Fortes
Carpintaria
Micau Zacarias
Promoção e imagem
Neu Lopes, SoDesenh, Costa&Costa
Fernando Andrade(Piano e Arranjos)
CiPi (Cavaquinho)
Ivan Gomes (Guitarras)
Produção
SARRON.COM, 2008
Morreu Aimé Césaire
Aimé Cesaire encontrava-se hospitalizado desde a semana passada com problemas no coração e outros. Os seus escritos fornecem uma visão aprofundada sobre a maneira como a França impôs a sua cultura aos cidadãos de origens diferentes no começo do século 20.
Césaire e o intelectual africano Leopold Senghor - que, mais tarde, seria presidente do Senegal - fundaram em 1934 o jornal "O Estudante Negro", que encorajava as pessoas a desenvolver a identidade negra.
O escritor ficou famoso com o livro de poemas "Cahier d’un Retour au Pays Natal" (Caderno de retorno ao meu país natal), escrito no fim dos anos 1930, no qual dizia: "A minha negritude não é uma torre ou uma catedral, ela mergulha na carne vermelha do solo". Os seus poemas expressam a degradação do povo negro no Caribe e descrevem a redescoberta de uma identidade africana. A sua influência entre os líderes africanos dos países de lingua portuguesa foi apreciável.
Aimé Césaire nasceu na Martinica, Antilhas, em 1913. Em 1931 ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar em Paris. Em 1934 fundou a revista "O Estudante Negro", com Senghor e outros militantes do movimento. Em 1936 começou a escrever e três anos mais tarde retornou à Martinica. Em 1941 fundou a revista "Trópicos". A partir de 1945 iniciou carreira na política ao ser eleito prefeito da capital, Fort de France, chegando mais tarde a ser eleito também deputado.
Maestro Vitorino vem a Cabo Verde
Na Praia, o concerto de António Vitorino de Almeida acontece no dia 25, sexta-feira, no Auditório do IC-CCP, no âmbito das celebrações dos 150 anos da capital de Cabo Verde. No Mindelo, o maestro português dá um espectáculo no dia 28, terça-feira, provavelmente no Pavilhão dos Salesianos. “São dois recitais comentados, em que o maestro António Vitorino de Almeida, à medida que vai tocando o piano, vai relatando a história das canções e dos seus autores”, explica João Neves, director do IC-CCP.
António Victorino Goulart de Medeiros e Almeida nasceu a 21 de Maio de 1940, no seio de uma família de artistas. O avô paterno, Achilles d’Almeida, era músico amador, poeta, autor e encenador de peças de teatro e a sua mãe, Maria Amélia Goulart de Medeiros, fez curta carreira de cantora lírica, sua avó, Odete Saint-Maurice, foi escritora e seu pai, Victorino d’Almeida, embora advogado, sempre incentivou António a desenvolver o gosto pela música.
E cedo António Vitorino de Almeida demonstrou o seu talento. Aos cinco anos compôs a primeira obra. Com sete anos deu a primeira audição e interpretou obras de Mozart e Beethoven, para além de duas peças de sua autoria. Frequentou o liceu em simultaneidade com o Curso Superior de Piano no Conservatónio Nacional de Lisboa, tendo concluído o curso com 19 valores e obteve uma bolsa de estudo do Instituto de Alta Cultura para estudar composição em Viena de Áustria, na Academia de Música.
Aluno do professor austríaco Karl Schiske, António Vitorino de Almeida concluiu a pós-graduação com a mais alta classificação dada por aquela escola: a distinção por unanimidade do júri e consequente prémio especial do Ministério da Cultura da Áustria. Ali fixou residência durante duas décadas, tendo exercido o cargo de adido cultural da Embaixada Portuguesa em Viena (1974-1981), o que lhe valeu uma condecoração atribuída pelo Presidente da República da Áustria.
De regresso a Portugal, leccionou cursos de musicologia na Universidade do Porto e em Tavira. Concertista e compositor, António Vitorino de Almeida também fez incursões nas áreas de cinema, televisão (como autor e apresentador de programas de música), escrita e rádio. A sua obra é muito vasta e abrange os mais variados géneros musicais, desde a ópera, à música sinfónica, de câmara, à música para cinema, teatro e fado.
Teresa Sofia Fortes
15 abril 2008
IC-CCP APRESENTA EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE TCHALÊ FIGUEIRA
12 abril 2008
Maria de Barros faz show em Angola

Maria de Barros actuou no passado dia 10 em Luanda, o seu primeiro espectáculo em solo angolano, depois de quase cinco meses de negociações com o proprietário da Rádio Vial, o empresário Víctor Almeida.
Segundo o mannager de Maria de Barros, Aldino Cardoso, nesta "operação Angola", a cantora faz-se acompanhar por oito músicos, entre os quais Zé Rui de Pina e Djosinha. A ideia era a realização de dois espectáculos em Luanda, no âmbito do programa Março Mulher, mas por questões de calendário e indisponibilidade Barros só agora se conseguiu assegurar a actuação.
Eleita personalidade "World Music" 2004, pela revista afro-americana "Essence", Maria de Barros nasceu no Senegal e cresceu na Mauritânia. Sua voz cristalina, doce e sensual, aliada ao estilo crioulo-latino-americano e a sua figura carismática deram-lhe uma dimensão universal.
A artista, cujo disco de estreia intitulou-se "Nha Mundo" e o seu segundo trabalho “Dança Ma Mi”, canta na maioria das vezes em crioulo, fazendo uma mistura invulgar de ritmos latinos, cubanos e africanos. Barros também interpreta bolero, samba e reggae.
Esta artista cabo-verdiana tem uma vida há muito ligada à música, reforçada depois do casamento com o baixista Mel Wilson Jr. Foi em Los Angeles, EUA, onde iniciou a sua descoberta pelo cenário latino, ao interpretar em espanhol ritmos mexicanos como bolero e música ranchera.
in: asemana online
Poeta Aimé Césaire em estado grave
Em comunicado, a unidade hospitalar refere que o estado clínico de Aimé Césaire “agravou-se nestes últimos dias”. Aimé Césaire foi um dos fundadores do Movimento Negritude, criado depois da II Guerra Mundial juntando escritores negros francófonos. O movimento emergiu da revista dos estudantes de Martinica “O Estudante Negro”, que reivindicava a identidade negra e a sua cultura contra a opressão cultural colonialista francesa. Além de poesia, Aimé Césaire tem uma vasta obra publicada nas áreas do teatro, ensaio e história. Neto do primeiro professor negro de Martinica, o escritor também abraçou a carreira política: foi presidente da Câmara de Fort-de-France durante 56 anos (1945-2001) e deputado (1945-1993). Natural de Basse-Pointe, onde nasceu a 26 de Junho de 1913, Aimé Césaire foi estudar aos 18 anos para Paris, cidade onde veio a conhecer o amigo Léopold Sédar Senghor, poeta e político senegalês (1906-2001) que se tornou no primeiro presidente do Senegal (1960-1980). Aimé Césaire regressou à Martinica, ilha das Antilhas francesas, aos 26 anos para dar aulas.Enquanto presidente da autarquia de Fort-de-France deu prioridade aos sectores da habitação, ensino e higiene e limpeza.
Fonte: Inforpress/ Lusa
Novo livro de Vadinho Velhinho apresentado por José Maria Neves
A apresentação, prevista para as 18:15 horas, num dos restaurantes da capital, estará a cargo do primeiro-ministro, José Maria Neves, amigo pessoal do Vadinho Velhinho e pelo escritor Jorge Carlos Fonseca.
Editado pela Artiletra, 220 páginas, “Tenho o infinito trancado em casa” é o 4º livro de poemas de Valentinous Velhinho, mais conhecido por Vadinho Velhinho, e 5º do autor, depois de “Relâmpagos em Terra" (Poesia, 1995), “Adeus Loucura, Adeus” (Poesia, 1997), “No ponto de rebuçados” (Crónicas publicadas em jornais, 2001) e “O Túmulo da Fénix”, (poesia, 2003).
Nascido a 29 de Maio de 1961, em Calheta de São Miguel, interior de Santiago, Valentinous Velhinho é nome literário de Valdemar Valentino Velhinho Rodrigues, filho do conhecido professor primário e fotógrafo Nho Velhinho.
Vadinho Velhinho começou a escrever quando frequentava ainda o Seminário São José, na Praia. Eram livros aos quadradinhos, cowboiadas, policiais, aventuras, terror e mesmo contos de fadas, “ao gosto do freguês”, para agradar à malta do 1º ano, que, segundo ele, não tinha acesso à biblioteca.
Hoje, com colaborações dispersas por jornais e revistas, nomeadamente “Sopinha de Alfabeto”, “Fragmentos”, “Artiletra” e “VP Caderno2”, é, provavelmente, um dos nomes mais importantes da jovem da moderna poesia cabo-verdiana.
Poesia nocturna, onde a solidão, a morde, o olvido, a loucura, Deus e a consequente expulsão do paraíso são temas recorrentes dos seus livros de poesia.
Admirador confesso dos poetas portugueses Fernando Pessoa e Luís de Camões, do brasileiro Augusto Anjos e do cabo-verdiano Eugénio Tavares, Vadinho anunciou a publicação, para este ano ainda, de mais uma obra literária, “Noites ao cair da noite”.
JMV
Inforpress
Mayra distinguida Artista Revelação do prémio BBC World Music

A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, 22 anos, é a vencedora do Prémio BBC Rádio 3 World Music, na categoria Artista Revelação do Ano.
A cantora cabo-verdiana estava nomeada pelo álbum Navega, ao lado do grupo israelo-americano Balkan Beat Box, do grupo maliano Bassekou Kouyate & Ngoni ba e do cantor e guitarrista Vieux Farka Toure, também do Mali. Mayra era, à partida, uma das favoritas pois, não obstante ser mais conhecida no mundo francófono e lusófono, desde do ano passado que vem ganhando espaço no meio musical anglófono.
A artista, que recebeu o prémio na passada quinta-feira, numa cerimónia em Londres, manifestou aos familiares em Cabo Verde a sua alegria e reconhecimento por este prémio. Antes do receber o troféu a jovem diva cabo-verdiana interpretou dois temas do seu disco e encontra-se neste momento (20h30 de Cabo Verde) a preparar-se para entrar em palco outra vez, num concerto que se segue ao anúncio dos prémios.
«Navega» é álbum de estreia de Mayra Andrade, que ganhou destaque ao vencer a medalha de ouro dos jogos da francofonia aos 16 anos. Com vendas superiores a 10 mil exemplares o álbum já é disco de ouro.
Mayra estará em concerto este fim de semana - 12 e 13 - em França.
"A Última Ceia" vai à Praia
"A Última Ceia" do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português - Instituto Camões será apresentada na Praia no dia 13 de Abril, às 19h00 e às 21h00 no Centro Cultural Português. Para quem não viu...
09 abril 2008
A Música de Manuel d´Novas (8)
(1978)

Nêss mundo um nacê
Tudo nu peladim
Um’ bem ta espendê de tchôm
Um prendê sentá
Um’ prendê rastá
Ês insnam’ andá na tchom
Num ambiente modesto
Pobre e feliz
Ta bai de môm em môm um criá
Bençoádo pa nhôr Deus
Um’ prendê sorri
Um’ prendê tchmá mãe, mamãe
Um prendê conchê gente
Brincá, gritá e cantá
Depôs já grandim
Sabido um’ falá
Pa escola ês mandam’ bai
Pa prendê alê
Pa prendê contá
Prendê sina nha nome
Na nha juventude
Tude era banal
Na meio di bondade e amor
Mundo era ôte cosa
Co gente diferente
Tinha menos maldade ma ódio
Óne bá ta corrê
Nha mundo bá ta mudá
Um’ saí pa estrangêr
Rodeód de faristeu
Na meio di fêl ma sangue
Um’ tive sabe e margôse
Sete mar um corrê
Tudo sempre ta aventurá
Na evolução di vida
Ma preto, ma branco
Um conchê mundo inter na trôte
Ta buscá progresso
Ta cumpri um distino
Nêss mundo cigano qui Deus dam’
Ma um’ ta sinti feliz
Ter nascido cabo-Verdiano
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Manuel de Jesus Lopes (Manuel d'Novas)
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06 abril 2008
Charlton Heston - THE END
Upgrade Formação Teatral (para reflexão)
A mais antiga e completa formação teatral do país (já conta com década e meia) tem conhecido vários melhoramentos, envolvendo professores e colaboradores que por aí já passaram como alunos e que adquiriram novos conhecimentos e experiências, muitas vezes noutras paragens. Porém, nota-se que o teatro em São Vicente tem conhecido uma grande evolução, pelo que as companhias teatrais reclamam cada vez mais formação. Penso que já não nos basta apenas um curso de iniciação teatral. Tal como o nome indica, é um curso limitado, e muita coisa fica por aprender. Aprende-se sempre, e muito bem, o básico e quem quer continuar e complementar seus conhecimentos e técnicas teatrais terá que se contentar com outros meios de estudo, escassos, e alguns curtíssimos workshops que vão aparecendo durante os festivais Mindelact.
Fala-se muito ainda (e salta à vista essa dura realidade) que São Vicente se tornou numa das ilhas esquecidas, comparando com o impulso económico, social e cultural que a ilha deu ao país noutros tempos. O desânimo generalizou-se e os jovens limitam-se ao “tchá ‘contecê”. Porém no meio deste tsunami maléfico há aqueles que tentam sobreviver, lutando e apresentando projectos e trabalho benéfico para a cultura da ilha e do país. É claro que, no que diz respeito ao teatro, essa luta de titãs não é fácil. Muitos actores e técnicos provenientes desses cursos (se calhar os que têm maior cotação artística) não estão disponíveis porque têm que trabalhar a duplicar para sobreviver, enquanto que têm que dividir o tempo com a família que, no entanto, constituíram. E, claro está, a arte de fazer teatro não compensa. As pessoas vão menos ao teatro (com excepção do que se passa no festival Mindelact), uma vez que não há dinheiro que sobre para esse “luxo”. Nem mesmo os actores têm dinheiro para irem ver os amigos e colegas de luta. Felizmente que as companhias têm uma certa cumplicidade entre si e, para cada espectáculo, as portas normalmente ficam abertas para todo o pessoal das artes cénicas. Os patrocínios também vão-se escasseando e certas empresas e entidades apoiam de forma insignificante ou simplesmente não apoiam os projectos das companhias, por mais interessantes, importantes e sérias que sejam. Algumas se acomodam no facto de apoiarem o festival Mindelact e dizem não terem conhecimento da lei do mecenato.
É claro que o público não vai gastar seu escasso dinheirinho num espectáculo de qualidade duvidosa. E as despesas aumentam para as companhias com campanhas de marketing. As companhias que já conquistaram o seu público fazem de tudo para não o perder, enquanto que as novas vão tentando conquistar o seu, à custa de muito suor e boa vontade. Os “mecenas” (eles também parte integrante desse público) tornaram-se mais exigentes e não apoiam um projecto mal apresentado e que não traga alguma contrapartida (pelo menos a nível publicitário). Nisso, os menos experientes vão ficando para trás.
Embora a comédia continue sendo o género de eleição do público mindelense, outros géneros ganham terreno. Entre os quais a tragédia, o teatro gestual e recentemente o musical. Porém são géneros que exigem mais das companhias, quer no campo da representação, como nos da técnica e da produção.
Com todas essas exigências que imperam, torna-se cada vez mais necessário a criação de condições técnicas e pedagógicas para apoiar quem queira continuar e aventurar-se na mais completa e complexa das artes. Além do mais, o teatro ainda não faz parte das opções universitárias nacionais, nesta mais que óbvia mudança de acto. Necessário já se torna uma formação com complementos leccionados de forma mais exaustiva como a dramaturgia, produção, sonoplastia, iluminação, promoção e marketing artístico, multimédia, música e canto, dança etc. Tudo isso sem pôr de parte uma mais exigente formação de actores no campo da interpretação, história do teatro universal, história do teatro cabo-verdiano e línguas. Não que esteja a ser exigente ou então um visionário. Pelo contrário, temos que ver um futuro do teatro com maior qualidade, com um público que crescerá com a nossa qualidade e diversidade de produção. E o teatro poderá ser um grande mercado de exportação de futuros apresentadores de televisão, técnicos, realizadores, guionistas e estrelas de séries, novelas e filmes que, acredito que estejam não muito longe de aparecer.
Nisso o Curso de Iniciação Teatral do CCP-IC continuará a ter sua importância, para ser mais tarde complementada com um curso mais avançado. Ou ainda esse curso terá de deixar de ser um curso para principiantes e se torne num curso mais abrangente, exigente, com maior qualidade e com mais formadores, garantindo assim um teatro sempre à frente. E, tendo em conta a história cultural e teatral desta ilha, o seu público ímpar e a polivalência e versatilidade de suas gentes que são actores natos, São Vicente deveria ser transformada num autêntico centro de formação das artes cénicas. Para a posteridade e desenvolvimento da cultura nacional.
Deixo essas palavras para reflexão.
Neu Lopes
SARRON.COM – Companhia de Teatro
05 abril 2008
Palácio da Cultura “Ildo Lobo” recebe maratona de teatro este mês
O Palácio da Cultura “Ildo Lobo”, na Praia, será palco, durante todo o mês de Abril, de uma maratona de teatro, com a participação de quase todos os grupos teatrais da capital.
Os espectáculos terão lugar sempre aos fins-de-semana, sextas, sábados e domingos, e contarão com a participação de, entre outros grupos, “Fidjus di Cabral”, “Finka Pé”, ADVIC e Grupo Cultural do Palácio da Cultura.
De acordo com o coordenador do Palácio da Cultura, Hélder Gonçalves, a primeira edição desta maratona teatral iniciará na segunda semana de Abril e pretende animar aquele espaço cultural até ao final do mês.
O objectivo é, segundo explicou esse responsável, dar maior visibilidade ao teatro praiense que, nas suas palavras, precisa de mais dinamismo.
“A Cidade da Praia precisa de maior dinâmica teatral. Não posso afirmar que não existe teatro na capital, mas, em existindo, falta-lhe a visibilidade necessária”, afirma este animador cultural, indicando que embora haja pessoas disponíveis para fazer o teatro, falta-lhes a formação necessária.
Nesta perspectiva, dentro da agenda do Palácio da Cultura para o mês de Abril, está agendada, com início na próxima segunda-feira, 7 de Março, um workshop de formação de actores.
Dirigida a vários públicos, esta acção de formação será assegurada três formadores, sendo Hélder Gonçalves um deles. Devido a limitação do espaço físico onde vão decorrer as aulas, as inscrições são limitadas a 15 pessoas.
Além das aulas práticas, que incluem história do teatro, os formandos vão trabalhar vários módulos relacionados com trabalho de actor, nomeadamente a postura do corpo como instrumento do teatro, técnica vocal, projecção da voz e outras ferramentas indispensáveis para a formação de actores.
No Palácio da Cultura continua a decorrer, por mais uma semana ainda, a exposição sobre a mulher cabo-verdiana. “Olhares diferentes sobre a mulher cabo-verdiana”, assim se chama a amostra de 44 quadros, organizada pelo Palácio, em parceria coma Organização das Mulheres da África Ocidental e que reúne trabalhos de cerca de uma dezena de artistas cabo-verdianos.
JMV - inforpress
Acordo Ortográfico é "unidade" e "valorização" da língua portuguesa no mundo, diz ministro da Cultura
"O acordo ortográfico vai ser uma grande medida para a valorização da língua portuguesa, que hoje é falada por 200 milhões de pessoas. Mas a nossa língua, neste momento, tem várias normas. Há a matriz de Portugal e a do Brasil e as instâncias internacionais têm dificuldade em utilizar a língua portuguesa porque não sabem qual é o modelo que se vai utilizar. Portanto o acordo ortográfico vai permitir a unidade da língua", disse Manuel Veiga à agência Lusa.
Cabo Verde já aprovou o acordo e foi um dos primeiros a proceder a sua ratificação.
Agora, segundo Manuel Veiga, se a Assembleia da República Portuguesa ratificar também o acordo outros países irão fazer o mesmo.
"É uma grande medida e com isso ganha a cultura, ganha a CPLP. Se todos os países assinarem e o acordo entrar em vigor será a grande medida para a valorização da língua portuguesa no mundo", defendeu o ministro.
Manuel Veiga reafirmou que os passos que Cabo Verde deveria dar já foram dados e que agora aguarda a concertação relativamente aos passos concretos a serem dados por todos os países quanto à implementação do acordo ortográfico.
"Cabo Verde já aprovou, já ratificou, mas os passos concretos que têm de ser dados têm que ser feitos em concertação entre os países, porque é um instrumento que todos nós vamos utilizar", explicou.
O ministro justificou a sua ausência na conferência internacional sobre o acordo ortográfico promovida pelo parlamento português, segunda-feira, com a demora do envio do convite por parte das autoridades portuguesas, que só recebeu no passado dia 1 de Abril, mas disse que gostaria de estar presente no encontro.
Manuel Veiga representou Cabo Verde desde 1986, enquanto linguista, no primeiro encontro sobre o acordo ortográfico, que teve lugar no Rio de Janeiro, e nos sucessivos realizados em Portugal.
Fonte: Inforpress/Lusa
Discurso de agradecimento pelo Prémio de Mérito Teatral 2008
Num ambiente de muita aprendizagem, descobertas, dedicação e humildade montámos a nossa primeira peça teatral – “Fome de 1947”- ainda como alunos do curso, que posteriormente se viria a transformar no GTCCP/IC.
Muito pouca gente viu, mas os que viram gostaram muito. E assim começámos a nossa caminhada. Tínhamos uma tarefa muito árdua pela frente – conquistar o público mindelense. Fazer com que as pessoas se interessassem por um teatro diferente, inovador e ousado. Não foi tarefa fácil, quase que implorava-mos às pessoas para irem ver as nossas peças e olhem que era de graça. Mas graças ao nosso grande esforço e dedicação hoje podemos dizer que atingimos o nosso objectivo que era, e é fazer sempre o nosso melhor e que as pessoas gostem.
Gostaria também de salientar aqui a importância preponderante que o grupo do CCP teve na criação do festival de teatro Mindelact e na formação da Associação Artística e Cultural Mindelact, pois todos os actores do grupo estiveram e estão ligados a vida da associação, que hoje reconhecidamente nos premeia com este magnífico Prémio de Mérito Teatral 2008.
Quero ainda dizer um grande obrigado ao João Branco por ter-nos levado a embarcar neste mundo fascinante do teatro, e outro grande obrigado ao Centro Cultural Português na pessoa de Doutora Ana Cordeiro, por tudo que tem feito pelo grupo.
Por isso e por muito mais, estou muito orgulhosa e feliz por estar aqui hoje a receber este prémio, em nome dos meus companheiros de grupo. Aproveito para agradecer, em meu nome próprio e em nome de todos, á Associação Mindelact pelo mesmo. Muito obrigada. E que GTCCP/IC continue a ser um nome de referência no cenário do teatro caboverdiano.
03 abril 2008
CAMPEONATO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE LUSOFONIA – CABO VERDE VAI SER REPRESENTADO POR JANE DELGADO DA CRUZ, 15 ANOS
Jane Delgado, conseguiu o apuramento entre cerca de 20 mil participantes e concorreu na categoria de menos de 15 anos. A jovem que participou no concurso via Internet, disse que as perguntas "não eram muito complicadas", mas era preciso estudar e pesquisar muito para responde-las correctamente. Para isso contou com o apoio do pai que é professor de Português, dos livros e da Internet.
O campeonato é promovido pelo Expresso, o Jornal de Letras, a SIC e a SIC Notícias entre outros parceiros e conta com o patrocínio exclusivo do BPI.
A final decorre no dia 12 de Abril no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém e será transmitida na SIC Notícias.
in: Expresso das Ilhas




















