
O caso mais grave, segundo este amante da natureza, que como outros sanvicentinos preocupados com o frágil ecossistema cabo-verdiano formaram a associação de defesa do meio ambiente Biosfera 1, é a apanha em massa de cagarras. Para José Melo, “está a aumentar o número de pescadores que vão ao Ilhéu Raso caçar cagarras. O problema é grave porque as cagarras adultas não são caçadas, apenas as juvenis, ou seja, a espécie não está a ser renovada”.
A maior prova disso, segundo Melo, “é fornecida pelos pescadores. No ano passado apanharam cerca de 27 mil cagarras. Este ano, não chegaram às 18 mil. Porquê? As cagarras adultas (que têm uma estimativa de vida de 7 a 10 anos e só põem um ovo por ano) estão a morrer porque já têm idade”. Ou seja, “estão a extinguir uma espécie que só existe em Cabo Verde, em 70 por cento do Ilhéu Raso e também lá pelas bandas do Ilhéu Rombo, junto à Brava. Não existe em nenhuma outra parte do mundo”.

Por isso, para alertar o maior número possível de pessoas, aquém e além-fronteiras, a Associação Biosfera 1 também registou em vídeo as imagens da caça e matança das cagarras, que acontece anualmente no mês de Outubro, bem como da restante vida selvagem do ilhéu Raso, nomeadamente outras aves marinhas que lá nidificam, entre elas o rabo de palha e a calhandra, e os lagartos.
Imagens que estão a ser editadas em documentário para dar a conhecer o ilhéu e a sua vida selvagem. “O meu desespero é saber que a cagarra, a calhandra e o lagarto são espécies endémicas, que não existem em nenhuma outra parte do mundo e, que dentro de anos, podem não existir mais em Cabo Verde se não pararmos com a caça para alimentação e criação como animais de estimação”, desabafa Melo.
Teresa Sofia Fortes
in: asemana online
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